Neste livro –
que transcreve seu Seminário de 95 –,
MD Magno retoma a questão da Arte como possibilidade
de pensar qualquer produção, inclusive
de conhecimento, sob a égide do termo ART.
É o puro e simples processo da ARTiculação
que se generaliza ampliando a conceituação
da Arte para todo processo de Criação
(do homem e do cosmos).
Assim, a Est’Ética
da Psicanálise não opõe razão
a sensibilidade, mas, ao contrário, busca fundar
um racionalismo radical porque estético. Esta
é a perspectiva que resulta do exercício
da CLÍNICA psicanalítica definida pelo
autor como “aparelho de simulação
da suspensão dos recalques” – o
que desloca a psicanálise do âmbito das
concepções obsoletas que têm atravancado
seu desenvolvimento e a relança atuante como
prática de intervenção curativa
segundo modelos construídos a partir de seu
laboratório próprio.
É também
neste livro que o autor introduz o conceito de IdioFormação,
que, para além das noções de
sujeito ou subjetividade (importadas da filosofia),
descreve o humano em sua vocação pulsional
de incessantemente desejar o que não há.
Como é este Desejo que HiperDetermina suas
ações, o humano perde sua centralidade
psicológica no cosmos e é considerado
apenas um caso de IdioFormação –
o que abre para desenvolvimentos mais precisos sobre
suas ações e afetações
(patos). São desenvolvimentos necessários
quando ‘pós-humano’, ‘pós-orgânico’
e ‘transhumano’ já se tornaram
noções correntes.
Portanto, além
de percorrer avanços e reflexões originais
sobre temas importantes – o Belo, o Sublime,
o Mal, a Obra de Arte, a emergência de uma Nova
Razão –, temos a oportunidade de acompanhar
mais um passo da reformatação do aparelho
teórico-clínico da psicanálise
que MD Magno vem realizando desde os anos 1980. Sua
precisão e pontualidade estão em colocá-lo
à frente das transformações mentais
e culturais que hoje vivemos.