O
que constitui a modernidade é o fato de que
o homem vai se pensar como a fonte de suas representações
e de seus atos, como seu fundamento (sujeito), ou
ainda como seu autor? A idéia de sujeito ainda
serve para alguma coisa... que sirva (além
de ser tema de teses universitárias)? E a idéia
de autor é mais que o registro das propriedades
autorais lançadas no mercado?
O que é o humanismo? Segundo alguns, é
a valorização da autonomia (obediência
a leis e regras compostas como norma e que foram aceitas
livremente), diferentemente do individualismo, que
é a valorização da independência
(pura e simples afirmação do Eu). Mas
como aceitar livremente é constar da idéia
de lei que o fato de desconhecê-la não
exime ninguém da punição, isto
só pode, no máximo, ser entendido como
palavra dada entre pares aqui e agora. Ficando o termo
'livremente' prejudicado por não haver condição
de saber que limites impõem a aceitação
e o aval da palavra dada.
Então,
a modernidade, como dizem, surgiu culturalmente com
a irrupção do humanismo e filosoficamente
com o advento da subjetividade? A subjetividade é,
no mínimo, plural, múltipla e, na melhor
das hipóteses, um conceito que se pode e deve
abolir. Se humanismo depender da idéia de autonomia
em contraposição à de independência,
esta autonomia dificilmente será conseguida,
a não ser por consenso em determinado momento.
E se esse consenso for aquele capaz de definir, para
uma modernidade possível, uma idéia
de democracia, qualquer um que, nesse escopo, ocasionalmente
venha a pensar (portanto, comprometer-se com o advento
do Novo) estará condenado, no máximo,
ao linchamento e, no mínimo, ao ostracismo.
Como
lidar com a possibilidade de uma transcendência
imanente? Ou seja, como declarar e garantir alguma
ética quando se reconhece que não há
transcendência?
Estas
quatro perguntas orientam o percurso de MD Magno neste
livro, que transcreve seu Seminário de 1997,
e no qual aplica a Transformática, a teoria
psicanalítica da Comunicação
que apresentara no ano anterior.
Para
ele, Cultura se define como “o modo de existência
da espécie humana”. E o entendimento
da Era Global, supostamente caracterizada pelo apagamento
das fronteiras em todos os campos (do conhecimen-to,
da geografia, das crenças etc.), só
tem a ganhar se a pensarmos em franco confronto com
a recalcitrância em sustentar as fronteiras:
a tentativa de apagamento é sempre sustada
no ponto exato onde se tornaria passagem para uma
ordem inteiramente nova.
Por
estas indicações, podemos antever os
desenvolvimentos sempre originais de MD Magno quanto
ao que a psicanálise tem a dizer sobre a mo-dernidade,
que jamais efetivamente se instalou, e sobre o pós-moderno,
visto como a expansão da visão moderna
no sentido da instalação definitiva
de uma modernidade que se deseja e que ainda não
se conseguiu (Projeto Pró-Moderno).