Em
A Vassoura da Bruxa, Nívia Bittencourt atualiza
a história de uma das maiores artistas contemporâneas.
Afirma que Lygia Clark arriscou-se à loucura
ao eliminar a mediação dos objetos de
arte na relação com o espectador. Lygia
agiu como catalisadora no seio da sociedade, assumindo
uma postura clínica.
Como
isto ocorreu? É o que este livro elucida.
A obra de Lygia Clark foi um acontecimento cultural
em que a arte operou a análise da cultura.
Sua vassoura varreu do horizonte conceitos até
então dominantes, gerando um grande movimento
de torção, que inverteu os pólos
da criação e da recepção
da obra. Por fim, Lygia incorporou sua obra e assumiu
o lugar do analista.
Para
instrumentar esta perspectiva, a autora se vale da
Nova Psicanálise, criada por MD Magno, como
uma ferramenta capaz de restaurar o vigor da análise
na cultura, em termos de "Clínica Geral".
O
que resulta do diálogo dessas singularidades
não é pouco. A autora não quer
explicar e sim implicar a todos. A Nova Psicanálise
é que melhor esclarece a obra desta artista
brasileira. É também um acontecimento,
made in Brazil, herdeiro genuíno de movimentos
soberanos no seio da cultura brasileira (como demonstram
as obras de Clark e Oiticica).
É
que nós outros, anjos falantes de direito e
de fato, estamos inseridos, no seio de tudo que há,
não de modo proporcional a esses seres, mas
sim compatíveis com a estrutura de plenitude
do que Há. Digamos que, com nossos corpos de
macaco, sustentamos o santo espírito de Deus.
Com
o que a Psicanálise, herdeira soberana dos
encargos da velha Filosofia, não deixa de ter
sua Teologia, sua Ontologia, sua Cosmologia - apontando,
em seu a-teísmo, que Deus é Inconsciente
como é Inconsciente o próprio Haver.
E assim, pode recolher qualquer espécie de
saber, querendo dialogar com toda sorte de dizer.
Em
suma: podendo extrapolar(-se) do cinturão (dito
terapêutico) de sua clínica divanesca
para a amplitude arejada de sua Clínica Geral.