O
que a psicanálise produziu como Teoria pode
ser o desenho de uma organização universal
da mente? E o que tem praticado como Clínica
é ainda viável no mundo contemporâneo
onde tudo se deteriora com rapidez? São algumas
perguntas de MD Magno ao continuar neste livro - que
transcreve seu Seminário oral de 94 - a reformatação
da psicanálise que vem realizando desde a década
de 80.
Suas respostas se desenvolvem na retomada da noção
de FORTUNA (Sorte, Tiquê, Evento), que, tal
qual a LUA - velut luna - nas canções
da Carmina Burana, serve para expressar as volubilidades
humanas com que lida a Clínica psicanalítica.
Assim, ao longo do livro podemos percorrer avanços
conceituais originais como o aparelho dos CINCO IMPÉRIOS,
que abre novas perspectivas de entendimento ao traçar
um verdadeiro 'caminho necessário' dos desempenhos
culturais de nossa espécie em seu perene movimento
de busca de maior abstração. Acompanhamos
também a precisão do questionamento
e da reflexão sobre temas como realidades virtuais,
sujeito, inconsciente, tempo, verdade, o trágico,
o herói...
A
questão da ÉTICA da psicanálise
é trabalhada longamente para situá-la
na VIAGEM que a CLÍNICA propicia no sentido
de, para além das determinações
e sobredeterminações, fazer relembrar
a HIPERDETERMINAÇÃO que nos afeta radicalmente.
MD Magno aproveita Galileu Galillei, de Brecht, para
indicar que a ética que temos é a "polética
de retorno": oferecer de bandeja aquilo que se
colhe desta viagem ao Cais Absoluto de nossa afetação.
É
o esforço de permanente "faxina"
da psicanálise afirmada em sua postura autônoma
como campo específico de conhecimento e ação,
apto a enfrentar com força própria os
tempos de hoje, em que as sombras, semelhantemente
à lua em eclipse, estão obscurecendo
o mundo.